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RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – São Clemente

23 de outubro de 2021

Carnaval Rio de Janeiro

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

Na segunda década da nova passarela da Marquês de Sapucaí, a São Clemente esteve desfilando no grupo principal das escolas de samba do Rio de Janeiro em apenas três carnavais, 1995, 1999 e no carnaval do ano de 2002, tendo no restante desfilando no grupo de acesso da época.

Para o carnaval do ano de 1994,  a São Clemente apostou num enredo que falava sobre  a união dos povos, levando para a passarela referências à literatura e as histórias infantis (mosqueteiros, três porquinhos), à música (duplas sertanejas) e à vida pública (passeatas, protestos).

Mas o fato é que o conjunto alegórico e de fantasias mostrou-se muito irregular durante a passagem da escola, que ao final acabou conquistando o vice campeonato, colocação essa que levou a escola para o grupo de elite carioca no carnaval seguinte.

Promovida ao grupo principal, no carnaval de 1995 a escola das cores preto, ouro e amarelo teve a incumbência de abrir os desfiles naquele carnaval, dessa vez apresentando o enredo “O que é, o que é… que não é, mas será?”, desenvolvido pelo carnavalesco Luiz Fernando Reis, em seu retorno a agremiação da zona sul carioca.

A intenção da São Clemente com esse desfile era lembrar a conquista do tetracampeonato de futebol, dando destaque a recuperação do orgulho do povo brasileiro.

Alegorias e fantasias eram bastante singelas, comparativamente às outras agremiações do grupo, mesmo que a escola tenha se apresentado com muita empolgação, por parte de seus desfilantes.

Ayrton Senna foi uma figura homenageada nesse desfile da São Clemente, já que numa das alegorias apresentadas havia uma réplica de seu capacete como referência.

O abre-alas trazia algumas baianas acompanhando a figura de São Clemente, sendo seguido pela ala de baianas da agremiação

A atriz Isadora Ribeiro veio à frente dos ritmistas da escola, bateria esta que veio vestida sem as cores tradicionais da escola do bairro de Botafogo.

Mas o fato é que no final aquilo apresentando mostrou-se bastante insatisfatório, no comparativo com outras agremiações, levando a escola a conquistar somente a  décima sétima colocação, o que a rebaixou para a segunda divisão carioca no ano seguinte .

Para 1996, voltando a desfilar no grupo A da época, a São Clemente apostou no enredo “Se a canoa não virar a São Clemente chega lá”, dessa vez sob a batuta dos carnavalescos  Roberto Costa e Jaime Cezário.

Com esse enredo a agremiação da zona sul colocou as embarcações na avenida, começando pelas egípcias até as naus portuguesas.

Característica da escola, foi um desfile cheio de muita empolgação, desfile esse repleto de figuras marinhas e tudo o que mais podia lembrar o mar.

Esse desfile rendeu a escola a terceira colocação, ficando por essa razão no grupo A para o carnaval de 1997.

Com o enredo “A São Clemente Botafogo na Sapucaí”, do carnavalesco Jaime Cezário, no carnaval de 1997 a agremiação entrou na Sapucaí para contar a  história do bairro de Botafogo e um pouco da história da escola que estava completando 35 anos naquele ano.

Esse desfile obteve destaque na história da escola pelo conjunto apresentado pela escola, tanto do ponto de vista do visual apresentado, quanto pela harmonia perfeita observada durante a passagem da agremiação pela passarela.

No resultado, anunciado pós apuração das notas, terminou a São Clemente empatada com  Caprichosos de Pilares e Tradição. A Tradição foi considerada a campeã, uma vez que alcançou pontuação máxima em quesitos, sendo penalizada em dois pontos pelo número indevido de componentes na ala de baianas.

No desempate, entre a Caprichosos e São Clemente, outro problema foi observado para que se pudesse eleger a vice-campeã, que também subiria ao Grupo Especial, já que ambas perderam a mesma quantidade de pontos nos mesmos quesitos (Comissão de Frente e Fantasias) considerando-se o descarte de notas. Uma última cláusula do regulamento dizia que continuando o empate deveria ocorrer um sorteio para que a escola escolhida fosse considerada com melhor classificação.

O sorteio realizado foi ao vivo e a bola escolhida foi a da Caprichosos de Pilares. A São Clemente entrou na justiça alegando suspeita de fraude na classificação. A escola de Botafogo conseguiu uma liminar concedida pelo juiz da 31ª Vara Cível, Carlos Eduardo Moreira da Silva e participou do Desfile das Campeãs sendo a primeira escola a se apresentar. No entanto, ao longo do ano perdeu os recursos e foi obrigada a amargar mais um ano no Grupo de Acesso.

Mesmo com esse belo desfile apresentado, a escola acabou de novo com a terceira colocação, repetindo o resultado do ano anterior.

No carnaval de 1998, como já era de se esperar, a escola veio incomodada com tudo quilo acontecido no carnaval anterior, trazendo por isso o enredo “Maiores são os poderes do povo – Se liga na São Clemente!”, do carnavalesco Jaime Cezário. Com esse enredo a pretensão da escola era falar da luta pelos direitos essenciais: saúde, educação, emprego, moradia.

Com esse desfile finalmente a escola conquistou a segunda colocação, posição essa que promoveu a escola para desfilar no grupo de elite no carnaval carioca do ano de 1999.

No carnaval carioca de 1999, de novo coube a São Clemente abrir os desfiles do carnaval daquele ano, desfilando no grupo principal das escolas de samba, tendo escolhido como enredo homenagear o advogado, jornalista, político, diplomata e abolicionista Rui Barbosa, com a apresentação do enredo “A São Clemente comemora e traz Rui Barbosa para os braços do povo”, no último ano de Jaime Cezário como carnavalesco da escola, onde vinha desde o desfile de 1996.

De novo, comparando com as demais agremiações,  a São Clemente ficou devendo um termos de gigantismo e acabamento de alegorias.

Destaque para a figura do homenageado que estava presente em quase todas as alegorias apresentadas.

Esses deslizes levaram a escola a ficar no fim com o décimo quarto lugar, posição esta que a rebaixou de novo a desfilar no grupo de acesso no carnaval do ano seguinte.

No carnaval onde a grande intenção era se comemorar os quinhentos anos do nosso país, desfilando no grupo A  da época, a São Clemente contratou a dupla de carnavalescos João Luiz de Moura e Sônia Regina e ficou sob a responsabilidade deles desenvolver o enredo “No ano 2000, a São Clemente é Tupi com Sergipe na Sapucaí”.

Nesse carnaval do ano 2000, a intenção da São Clemente era de destacar as riquezas culturais, históricas e naturais de Sergipe, dos sítios arqueológicos ao seu folclore, questionando os 500 anos do Brasil.

O samba enredo foi composto por Helinho 107, Cláudio Filé, Reginaldo Bessa e Leonardo Alegria e serviu bem para impulsionar o desfile da agremiação de Botafogo.

A dupla de carnavalescos se  desfez para o carnaval de 2001, quando Sônia Regina ocupou o posto de carnavalesca da escola e desenvolveu o enredo “A São Clemente falou e nada mudou nesse Brasil gigante”, uma referência aos diversos enredos antigos e críticos apresentados pela agremiação carioca.

Esse desfile agradou ao corpo de jurados daquele ano, tanto que a escola alcançou a segunda colocação, posição essa que lhe promovia a desfilar no grupo de elite no ano seguinte.

No carnaval de 2002 a São Clemente comemorou seus quarenta anos de avenida, preocupada nesse ano em mostrar a necessidade de preservação da natureza, através da apresentação do enredo “Guapimirim, paraíso ecológico abençoado pelo Dedo de Deus“, enredo esse desenvolvido por uma comissão de carnaval formada por Sônia Regina, Lane Santana, Alberto Rashyd e Nonato Trinta, sendo que a São Clemente teve a incumbência de abrir a primeira noite de desfiles.

Logo após a comissão de frente, veio a ala de baianas da escola, parte representando as águas cristalinas e outra parte as águas poluídas.

Dessa vez as alegorias da escola cresceram, no comparativo a anos anteriores, mas isso foi problemático durante esse desfile, já que houveram problemas com as alegorias apresentadas, tendo mesmo uma delas quebrado, fazendo com que as pessoas que estavam sobre ela, tivessem que passar pela passarela no chão, tendo ainda a escola apresentado problemas no quesito evolução.

De novo a escola alcançou apenas a décima quarta colocação, indo de novo desfilar no grupo A no ano seguinte, já que acabou rebaixada.

Por fim no carnaval carioca de 2003, a São Clemente apresentou o enredo “Mangaratiba – Uma história de luta para todos que amam a terra e a liberdade”, num trabalho solo do carnavalesco Lane Santana.

Com esse desfile a São Clemente sagrou-se a grande campeã do grupo A, com nota dez em todos os quesitos, votação essa que foi muito questionada pelas demais agremiações que concorreram com a escola, que para 2004 voltaria ao grupo de elite da folia carioca.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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