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RJ – Retrospectiva do segundo decênio do sambódromo carioca – Caprichosos de Pilares

26 de setembro de 2021

Carnaval Rio de Janeiro

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

Na segunda década da nova passarela da Marquês de Sapucaí, a Caprichosos de Pilares desfilou no grupo de acesso apenas no carnaval de 1997, visto o péssimo resultado obtido com seu  desfile no ano anterior.

No carnaval carioca de 1994 a Caprichos de Pilares sob a batuta do carnavalesco Luiz Fernando Reis apresentou o enredo “Estou amando loucamente uma coroa de quase 90 anos”, enredo esse sobre os noventa anos da famosa Avenida Rio Branco, localizada no centro do Rio.

Coube a agremiação de Pilares abrir o desfile da segunda noite de desfiles, com início de apresentação ainda com o céu claro, desfile bastante irreverente e divertido, característica da escola carioca.

Luizito era o comandante do carro de som da escola e o samba de autoria dos compositores Garibaldi, Tico do Gato, Carlos Ortiz, Marco Lessa e Almir Araújo tinha uma pegada bastante irreverente, para que a agremiação pudesse mostrar vários estabelecimentos localizados na Rio Branco.

Robson e Ana Paula muito bem vestidos defenderam o quesito mestre sala e porta bandeira com muita elegância e vibração.

Valéria Valenssa, a eterna Globobeleza, vinha a frente dos ritmistas da Caprichosos nesse ano.

Por tudo aquilo apresentado, esse desfile deu a Caprichosos a décima colocação, melhorando a classificação da escola em relação ao carnaval anterior.

Para 1995 a agremiação mudou de carnavalesco e em função disso foi a vez de Mauro Quintaes desenvolver um desfile na escola, tendo ele escolhido o enredo “Da terra brotei, negro sou e ouro virei”, sobre o petróleo. Foi o primeiro trabalho de Mauro Quintaes assinando sozinho um desfile no grupo principal do carnaval da Cidade Maravilhosa.

A característica de escola alegre e irreverente ficou um pouco para trás nesse desfile da  Caprichosos, frente ao tema proposto para esse carnaval.

Luizito continuou no comando do carro de som da agremiação de Pìlares, De qualquer forma, não foi um desfile desastroso e, aparentemente, não havia risco de rebaixamento.

Foi um desfile cheio de muito brilho e iluminação com neon nas alegorias apresentadas pela escola.

De novo a escola repetiu a décima colocação com esse desfile.

Para o carnaval carioca de 1996 a Caprichosos de Pilares de novo trocou de carnavalesco e dessa vez coube a Alexandre Louzada ocupar a vaga, tendo desenvolvido o enredo “Samba, sabor chocolate”.

Foi outro desfile que deixou a irreverência da escola para trás, quando com esse enredo a agremiação resolveu falar sobre o chocolate.

Nesse desfile ponto que merece destaque foram as alegorias concebidas pela equipe de carnaval da agremiação, com muitas cores e minuciosamente acabadas, bem ao estilo de Alexandre Louzada.

Destaque também para a beleza das fantasias dos destaques de luxo da agremiação, que vieram embelezando ainda mais as alegorias apresentadas.

Durante a apresentação do primeiro casal de mestre sala e porta bandeira um enorme espaço de abriu, já que a parte de frente da escola continuou a avançar na passarela, prejudicando aí a evolução avaliada pelo corpo de jurados.

Valéria Valenssa mais uma vez veio a frente da bateria da Caprichosos.

O carro de som da Caprichosos nesse desfile contou com o canto forte dos interpretes Luizito, Carlinhos de Pilares, Jackson Martins e Zé Paulo Sierra, na interpretação do samba de autoria dos compositores Almir de Araújo, Marco Lessa e José Paulo.

A irregularidade desse desfile deu à Caprichosos apenas a décima quinta colocação, situação essa que rebaixou a agremiação para a segunda divisão no carnaval seguinte.

Para o carnaval de 1997 assumiu o posto de carnavalesco da Caprichosos Amarildo de Mello, responsável pelo enredo “Do tambor ao computador”.

Os grandes navegadores vieram representados na comissão de frente, com roupas nas cores oficiais da agremiação e coreografia de Jerônimo.

Como a agremiação acabou sendo classificada com a segunda colocação, classificação essa que lhe garantiu voltar ao primeiro grupo no carnaval de 1998, a escola acabou participando do desfile das campeãs no sábado seguinte, o que proporcionou aos desfilantes da escola passarem pela Sapucaí uma segunda vez.

Jerônimo Guimarães assumiu como carnavalesco da Caprichosos para o carnaval de 1998, tendo ele desenvolvido o enredo “Negra origem – Negro Pelé, negra Bené”, um enredo exaltando a negritude com um samba que agradou muito na época, de autoria dos compositores Flávio Quintino, Noquinha, Sidinho da Zoeira, J. B. e Zé Carlos da Saara.

“Quem tem magia no pé
É Pelé
Quem vem na força da fé
É Mandela
A voz que veio de lá
Da favela
É da guerreira Bené
Salve ela”

(Trecho do samba da Caprichosos de Pilares – Carnaval de 1998)

Voltando ao grupo principal nesse carnaval, a Caprichosos de Pilares ficou com o encargo de abrir a primeira noite de desfiles, dessa vez com Jackson Martins comandando o carro de som da agremiação azul e branco.

O desfile não teve um fio condutor, uma lógica, uma coerência interna, segundo a crítica carnavalesca da época.

O enredo apresentado era considerado como de fácil leitura, já que falava sobre a origem da raça negra e ainda homenageava negros de destaque como Nelson Mandela, Pelé e Benedita da Silva.

Marquinhos Sorriso e Marcela formaram o primeiro casal de mestre sala e porta da bandeira da Caprichosos nesse desfile.

Tendo aberto os desfiles desse carnaval, a grande surpresa foi a permanência da escola no grupo de elite carioca, com a décima colocação atingida ao término da apuração das notas do corpo de jurados, nesse carnaval vencido pela Estação Primeira de Mangueira e Beija Flor de Nilópolis.

Para seus desfiles nos anos de 1999 e 2000 a Caprichosos de Pilares contratou Etevaldo Brandão para carnavalesco da agremiação, tendo ele para o carnaval de 1999 desenvolvido o enredo “No universo da beleza, mestre Pitanguy”, tratando sobre a vida e obra do cirurgião plástico Ivo Pitanguy e a busca do homem pela eterna beleza.

FOTO TASSO MARCELO/AE

O desfile apresentado pela Caprichosos nesse carnaval foi algo que se destacou como positivo, principalmente pela empolgação dos desfilantes da escola, que cantaram a plenos pulmões o samba enredo da escola de autoria dos compositores Sidney Leite, Flávio Quintino, Marcelinho da Caprichosos, Bittar e Jorge 101 defendido magistralmente por Jackson Martins.

Mas a realidade é que o desfile apresentado foi cheio de altos e baixos, com problemas bastante visíveis em termos de evolução principalmente, sendo que o médico Ivo Pitanguy foi muito aplaudido em sua passagem pela Sapucaí.

Com esse desfile a Caprichosos de Pilares conquistou a nona colocação, no grupo de elite do carnaval do Rio, melhor colocação essa desde o desfile da escola apresentado no carnaval de 1988.

Para o carnaval do ano 2000 a agremiação apresentou o enredo “Brasil, teu espírito é santo”, retratando a época da história do Brasil conhecida pela ditadura militar.

A ideia original era um enredo sobre o estado brasileiro do Espírito Santo, mas como o patrocínio esperado não veio, houve a necessidade de adaptar o enredo para caber no título já anunciado pela escola de Pilares.

Pontos positivos dessa nova apresentação da Caprichosos de Pilares foi a interpretação do samba enredo por Jackson Martins e a cadência da bateria da agremiação carioca.

Outro desfile que foi bastante irregular, com alegorias com boas soluções e outras nem tanto, assim como alguns figurinos de alas carecendo de uma melhor concepção e  realização.

Destaque para a beleza e imponência dos figurinos da comissão de frente da escola, com a predominância do dourado e azul escuro.

Nesse desfile destaque para a dupla formada por Kiko Alves e Viviane Araújo que abrilhantaram esse desfile da Caprichosos, onde Augusto e Marcela, muito bem vestidos, defenderam o quesito de mestre sala e porta bandeira.

Destaque para a alegoria com a temática das “Diretas Já” que contou com a presença de Roberta Close e para Valéria Valenssa, mas uma vez figura de destaque desfilando no chão.

Esse desfile deu à Caprichosos de Pilares a décima primeira colocação, num ano onde a grande campeã foi a Imperatriz Leopoldinense.

Para os três últimos carnavais da segunda década da nova passarela da Marquês de Sapucaí, a Caprichosos de Pilares contratou Jaime Cezário para ser o carnavalesco da agremiação azul e branco.

Para 2001 o enredo escolhido foi “Goiás, um sonho de amor no coração do Brasil”, com foco no estado de Goiás.

A Caprichosos de Pilares foi a segunda a desfilar na segunda noite de desfiles, apresentando um desfile do ponto de vista plástico carente de maiores recursos financeiros para seu aprimoramento, já que a proposta do enredo foi apresentada com coerência e bom desenvolvimento.

A irregularidade no quesito harmonia foi bastante notada pelos julgadores, mesmo que o interprete Jackson Martins tenha realizado a interpretação do samba com a maestria de sempre.

A modelo Nana Gouvea veio a frente dos ritmistas da escola de Pilares.

No quesito evolução também puderam ser observadas falhas durante o desfile da escola, onde de novo formou-se um enorme espaço em branco durante a apresentação do casal de mestre sala e porta bandeira para os jurados.

Com esse desfile a escola ficou com a décima segunda colocação, tendo por muito pouco escapado de ter sido rebaixada.

Para o carnaval carioca de 2002 a Caprichosos de Pilares apresentou o enredo “Deu pra ti! Tô em alto astral! Tô com Porto Alegre, trilegal!”, enredo esse sobre a capital de todos os gaúchos, Porto Alegre.

Segunda agremiação a entrar na Sapucaí no primeiro dia de desfiles, Robson e Ana Paula retornaram ao posto de primeiro casal de mestre sala e porta bandeira, mas foi nítido que o conjunto alegórico não era tudo aquilo esperado, principalmente pela falta de recursos financeiros para pôr esse desfile na Sapucaí.

A tradicional figura do gaúcho veio representada na comissão de frente da agremiação, que desfilou com trinta e uma alas, num desfile que extrapolou um pouco a história da capital gaúcha, que completava 230 anos de fundação, para também incorporar aspectos da cultura do estado do Rio Grande do Sul.

Jackson Martins foi bastante positivo na sustentação do samba enredo da agremiação nesse carnaval, mas o fato é que o samba era muito longo e não conseguiu muita popularidade desde a fase do pré carnaval.

Nana Gouvea continuou desfilando a frente dos ritmistas da escola e a modelo Ângela Birmarck veio seminua no carro abre alas. Kiko Alves dessa vez estava acompanhado da modelo Renata Santos.

Menção ao futebol e ao carnaval porto alegrense, trouxeram para esse desfile as menções ao Grêmio e ao Internacional, no tocante ao futebol e às escolas de samba Imperadores do Samba e Bambas da Orgia.

De novo a  décima segunda colocação foi a conquista da agremiação com esse desfile que muito agradou os habitantes da capital do Rio Grande do Sul.

Já para o carnaval do Rio de Janeiro de 2003, a Caprichosos apresentou na Sapucaí o enredo “Zumbi, Rei de Palmares e herói do Brasil. A história que não foi contada”, numa exaltação a figura negra de Zumbi dos Palmares.

O conjunto alegórico e de fantasias foi elogiado pela crítica da época, mas nada sem muitas novidades ou surpresas.

O samba enredo, mais uma vez muito bem executado pelo interprete Jackson Martins, não caiu no gosto popular, não tendo por isso agitado a plateia presente na Sapucaí na passagem da agremiação de Pilares.

Com esse desfile a escola ficou na décima colocação, repetindo a colocação dos carnavais de 1994, 1995 e 1998.

Por Sidnei Louro Jorge Júnior

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